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 Casa das Universidades FestFIC 2017. Foto: Clécia Oliveira

Na noite de segunda-feira do dia 6 de novembro, a Casa das Universidades FestFIC 2017 recebeu mais de duzentos convidados na abertura oficial das exposições, na cerimônia de premiação do I Concurso FIC Jovens Artistas do Rio de Janeiro e em outras atividades do II Festival Interuniversitário de Cultura (II FestFIC – RJ 2017). A cerimônia teve início com fala de abertura de Carlos Vainer, coordenador do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ e secretário executivo do Fórum Interuniversitário de Cultura, organizador do Festival.

A vernissage contou com a presença das curadoras das exposições da Escola de Belas Artes da UFRJ, Paula Scamparini e Julie Brasil, e de diversos artistas expositores. Performances, leitura de poesias e intervenções marcaram a recepção, que se espalhou entre os diferentes ambientes da Casa. Algumas obras expostas têm como proposta a interatividade com o público, enquanto outras despertam a contemplação sobre cada mensagem transmitida.

Orquestra de Sopros da UFRJ. Foto: Clécia Oliveira

Marcelo Jardim, regente da Orquestra de Sopros, que se apresentou na noite, destacou a importância do grupo prestigiar a abertura da Casa das Universidades no contexto do II FestFIC – RJ 2017. "Eu acho essencial que marquemos o momento atual do país com cultura e saber. A universidade é uma instituição secular. É um momento muito importante para as universidades que estão colaborando. Estamos nos ajudando e nos vivenciando.”

Jardim completa: "O II FestFIC – RJ 2017 é uma grande oportunidade para mostrar que, a despeito de todas as questões que tomam conta dos noticiários, como os problemas políticos e a corrupção, a importância do que fazemos é vital, assim como todas as outras áreas de uma sociedade. A cultura vem mostrar que o caminho deve ser uma via múltipla.”

Premiação do I Concurso FIC Jovens Artistas do RJ. Foto: Clécia Oliveira

O evento seguiu com a premiação dos vencedores do I Concurso Jovens Artistas do Rio de Janeiro, que contemplou com certificados os primeiros colocados nas modalidades Poesia, Conto, Fotografia e Vídeo-minuto, além das menções honrosas, que foram entregues aos agraciados pela banca de jurados. No total, 179 jovens se inscreveram no concurso.

As Exposições

Exposição FioMultiCultural. Foto: Clécia Oliveira

A Casa das Universidades recebeu exposições de pintura, adesivagem, fotografia, poesia entre outras de diferentes artistas independentes do Rio de Janeiro. A Escola de Belas Artes da UFRJ, por exemplo, firmou parceria com a Universidade de Juiz de Fora e apresentou obras relacionadas ao Grupo de Pesquisa em Arte e Ecologia (GAE), que ocupou três espaços na Casa das Universidades. Um dos alunos envolvidos com o grupo de pesquisa, Matheus de Simone, autor da instalação Medo do Cacete, afirma que o grupo lida com a resistência das mais diferentes formas.

Instalação Medo do Cacete (EBA). Foto: Eneraldo Carneiro

Matheus, por exemplo, se espelhou na cultura do medo perpetrada na sociedade para construir sua instalação. Nela, bloquinhos de madeira usados para a montagem de castelos de brinquedo simulam armas. "Procurei trazer o contraste do Rio com a infância e o medo da violência e como isso está ligado a uma energia masculina, própria do universo bélico", afirma Matheus. "Busco abordar a resistência ligada à questão sexual, do próprio medo que a cultura patriarcal impõe e como isso toma uma potência invasiva em nossas infâncias", complementa.

Uma das salas de destaque da Casa recebe o trabalho de Cecília Cipriano, professora aposentada do Instituto de Química da UFRJ e atual aluna do curso de graduação de Belas Artes. Sua mostra se coloca no contexto da cidade do Rio de Janeiro e das mazelas enfrentadas pelos cariocas por conta da corrupção generalizada na política e, por consequência, a grave crise econômica com a qual o país, o Estado e o município vivem.

Duas instalações de Cecília chamaram a atenção do público: uma projeção exibindo imagens de um tapete de sal nas escadarias da Câmara Municipal do Rio e as bandeiras da cidade e do Brasil completamente salinizadas e petrificadas. O trabalho foi executado por um coletivo composto por ela mesma e por colegas de turma – todos na faixa dos 20 anos. Cecília ressalta: “representa a limpeza dos ambientes da administração pública a partir do simbolismo do sal grosso.”

A ideia, segundo a artista, veio no âmbito das eleições municipais de 2016. "Encontrei com um candidato a prefeito em uma caravana e propus um banho de sal grosso na Câmara Municipal para abrir os caminhos da futura administração. Ele topou e negociamos com a Câmara que, para a minha surpresa, autorizou a intervenção", afirmou.

1,25 tonelada de sal grosso foi transportada de uma salineira de Araruama até o Rio de Janeiro de caminhão. O trabalho foi feito no dia 6 de dezembro. Ao final do dia, depois de inúmeros funcionários e vereadores passarem pelo tapete de sal, o grupo varreu todo o sal, que foi despejado no mar no dia 2 de fevereiro, dia de Iemanjá.

Cecília revelou que, apesar do rito não fazer parte da intervenção, ela optou por dividir a responsabilidade com a entidade rainha dos mares. "Foi um trabalho muito pesado e ele ainda não acabou", ela afirma. O sal restante foi usado para salinizar as bandeiras, que ficaram imersas em uma piscina com alta concentração de sal, que evaporou ao longo de meses. "Para mim, a arte significa criar mecanismos para falar através desses simbolismos", completa.

Intervenção de Cecília Cipriano (EBA). Foto: Eneraldo Carneiro

Uma intervenção da artista também chamou muito a atenção de quem participava da vernissage. Um alto-falante potente emitia gritos de ordem ou de desespero e sons de cavalarias da Polícia Militar – todos os sons captados nas manifestações de junho de 2013. Por cima do aparelho sonoro, havia uma fina base de isopor com grãos de sal grosso coloridos formando a bandeira do Brasil – com a cor vermelha no lugar do azul.

Na medida em que os graves se intensificavam, a bandeira vibrava e se desfazia em meio aos tremores provocados pelo som. Ao final, com a bandeira já totalmente desfigurada, a artista lançou os grãos restantes em cima dos espectadores. Cecília Cipriano explicou a mensagem por trás da intervenção:

"Para mim, reproduzir aqueles sons significa trazer as mensagens confusas e contraditórias que estavam postas nos anos 2013 e 2014. Depois, o país se polarizou e passamos a entender melhor o que estava acontecendo. As cores da bandeira representam as bandeiras que eu vi nas manifestações de 2013: o verde e o amarelo e a cor vermelha", ela diz.

"A mistura das cores da bandeira com a trepidação do amplificador pode trazer muitos significados e interpretações, como a necessidade de integrar as pautas dos manifestantes que, hoje, estão divididos ou, ainda, o rompimento com o significado dessas bandeiras", finaliza Cecília. 

 

Johanns Eller

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