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Com a proibição dos ensaios técnicos das escolas de samba na Marquês de Sapucaí, a Imperatriz Leopoldinense realizou seu último teste de rua no sábado, 3 de fevereiro, na Quinta da Boa Vista. E não há melhor opção para integrar os componentes da Escola ao ambiente do Museu Nacional (MN) da UFRJ, tema do enredo 2018.

O diretor de Carnaval, Wagner Tavares, abriu o ensaio com agradecimentos à equipe do Museu e à Quinta da Boa Vista, também homenageada, especialmente pela área de lazer e recreação e a natureza que abriga. Uma alegoria especial vai mostrar o Jardim das Princesas, ainda sem condições de acesso ao público em uma parte do parque de São Cristóvão. Outra mensagem, que também será passada na avenida, é que a sociedade precisa conhecer o Museu e sua riqueza histórica, científica e cultural.

Antes do ensaio, os componentes da Escola de Ramos puderam fazer visita guiada pelos espaços do MN, visualizar e conhecer melhor a história do que está presente nas alas, fantasias e alegorias. Este é somente um exemplo dos diálogos estabelecidos entre a comunidade, a universidade e o Museu. Vários dos componentes convidados do desfile são funcionários e alunos da instituição, além da equipe (direção e pesquisadores) do Museu que contribuiu com informações e participou de todo o processo desde a pesquisa para consolidar o enredo. Muitos nunca haviam se envolvido com Carnaval.

Mesmo sem fantasias e apenas com alguns adereços, os componentes da Escola mostraram empolgação e afinação com o samba-enredo “Uma Noite Real no Museu Nacional”, dos compositores Jorge Arthur, Maninho do Ponto, Julinho Maestro, Marcio Pessi e Piu das Casinhas.

Adultos e crianças encenaram coreografias das alas que serão vistas na noite do desfile. Entre os pontos abordados, estão momentos do palácio e representações históricas, com destaque para figurinos da época que consolidou o Museu como instituição. E não vão faltar figuras como a própria imperatriz Leopoldina, esposa de Dom Pedro I, e a imperatriz Teresa Cristina, conhecida como a imperatriz arqueóloga, esposa de Dom Pedro II. Figuras femininas terão destaque na Sapucaí.

Há representações do acervo do MN de forma lúdica, como a expedição às salas onde ficam os objetos colecionados e várias referências a animais e elementos da natureza. Por fim, a cultura popular vai tomar conta da festa com fantasias coloridas e bem-humoradas, fazendo referências à vida cotidiana.

 De acordo com Regina Dantas, historiadora do MN e doutora em História das Ciências, o processo de integração entre a instituição e a Imperatriz teve início em junho do ano passado. A diretora do Museu na época, a professora Cláudia Ferreira, foi convidada a inserir o Museu no processo de produção do Carnaval 2018. A diretora conversou com a equipe e indicou Regina como uma das principais fontes de informação. Sua dissertação de mestrado e a tese de doutorado foram escritas, respectivamente, com base em pesquisas sobre a história do palácio, como residência real e imperial, e sobre o MN como instituição científica. Em seguida, passaram às contribuições com a sinopse, com critérios para escolha do samba e outras colaborações.

Um dos motivos que levou o carnavalesco Cahê Rodrigues a propor o enredo foi o elo entre a Escola e a história do Museu. Imperatriz Leopoldinense remete à Carolina Josefa Leopoldina, a arquiduquesa austríaca. Ela se tornou a primeira imperatriz brasileira na época em que o rei Dom João VI decretou a criação do Museu Real, em 6 de junho de 1818. O objetivo foi divulgar estudos científicos no Brasil e atender aos interesses de promoção do progresso cultural e econômico do país. Depois, a instituição se tornou Museu Nacional e foi integrada à Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 1946.

O MN é a mais antiga instituição científica do Brasil e o maior museu de história natural e antropológica da América Latina. Em 2018, diversos eventos vão acontecer durante todo o ano para comemorar seu bicentenário. Abrir as atividades comemorativas com o Carnaval carioca possibilita um olhar mais amplo da sociedade para o reconhecido valor deste patrimônio, não só da universidade ou do Rio de Janeiro, mas também do país.

*A Imperatriz Leopoldinense será a quinta escola a desfilar na madrugada de segunda (12/02) para terça, por volta de 1h35.

Saiba mais:

http://www.museunacional.ufrj.br/

http://www.imperatrizleopoldinense.com.br/

Clécia Oliveira

 

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