Posse Reitora Capa

Pela primeira vez, em quase 100 anos de história, a UFRJ será conduzida por uma mulher. Na manhã desta segunda (08/07), a professora Denise Pires de Carvalho foi empossada como nova reitora da universidade. A transmissão oficial de cargos aconteceu no Auditório do Centro de Tecnologia (CT) e reuniu cerca de 1.200 pessoas entre docentes, discentes, técnicos-administrativos e autoridades públicas. 

Em seu discurso oficial, Denise destacou o papel inclusivo da universidade. Segundo ela, apesar de cortes no orçamento, a UFRJ tornou-se, nos últimos anos, mais democrática e diversa, devendo continuar assim daqui para frente. “Atuaremos baseados sempre em princípios republicanos e democráticos. Nossa universidade continuará pública, destinada ao povo e a coletividade. Gratuita, de qualidade, inclusiva, democrática e laica”, garantiu.

Além de manter a qualidade acadêmica, que é marca da instituição, a nova reitora tem como algumas de suas metas a continuidade de projetos importantes, como o Viva UFRJ e a recuperação do Museu Nacional. A nova gestão também pretende aproximar a universidade da sociedade, incorporando a transversalidade como modo menos vertical e hierárquico de produzir e lidar com o conhecimento. “A UFRJ será diferente. Não há mais espaço no mundo atual para o exílio da academia. As instituições de ensino são reconhecidas pela sociedade e estão evoluindo, cada vez menos encasteladas, participando das transformações sociais e a UFRJ vai ser assim: cada vez mais atuante”, concluiu Denise.

 Denise Reitora

A eleição de uma mulher como reitora e a realização da transmissão de cargos de forma democrática e republicana são motivos de orgulho e celebração para a comunidade universitária. Em sua última fala como reitor da UFRJ, Roberto Leher classificou a cerimônia como gesto de celebração da autonomia universitária, que deve ser comemorado em especial no momento em que as instituições públicas de ensino vêm sofrendo ataques.

“Nos momentos mais delicados a universidade não se furtou de manter sua unidade, seu protagonismo e sua coragem”, lembrou o agora ex-reitor, agradecendo à comunidade pelo apoio prestado durante a gestão 2015-2019. "Me sinto honrado pela oportunidade de ter sido reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ser reitor de uma universidade que tem uma história como a da UFRJ é algo que só pode ser celebrado como um momento importante da nossa condição de professores e servidores públicos”, concluiu Leher desejando sucesso à nova reitora e sua equipe.

Representantes de outras instituições também prestigiaram a cerimônia de posse da nova reitora. Para Ildeu de Castro Moreira, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a ocupação do cargo máximo da universidade por uma mulher “valoriza a participação feminina em toda a UFRJ" e é decisivo para a renovação que a instituição busca e precisa, afirmou. Denise Pires de Carvalho é a 29ª docente a ocupar a posição de Reitora, sendo a primeira mulher no posto.

As falas dos convidados destacaram a necessidade do fortalecimento e união da instituição tanto interna quanto externamente para resistir à atual conjuntura política e econômica que o Brasil atravessa. “A Universidade é um veículo de transformação, questionadora em sua essência e nunca foi tão necessária a este país por seu potencial crítico e capacidade inovadora, contra o obscurantismo que paira”, defendeu o vice-reitor Carlos Frederico Leão Rocha (foto abaixo).

Prof. Frederico

Fórum de Ciência e Cultura: gestão 2019-2023 

Além da reitora e de seu vice, tomaram posse os pró-reitores que compõem a nova equipe de gestão, que irá até 2023. Foi empossada e participou da cerimônia a nova coordenadora do Fórum de Ciência e Cultura (FCC), Tatiana Roque, que falou sobre a perspectiva de atuação do órgão a partir de agora. Roque é professora do Instituto de Matemática (IM/UFRJ) e assume a coordenação do FCC até 2023. Ela substitui o professor Carlos Vainer, do Instituto de Pesquisa e Planejamento Regional (IPPUR/UFRJ), que coordenou o FCC nos últimos 8 anos.   

Segundo Tatiana Roque, a atuação do Fórum será focada na integração das ações culturais e científicas da universidade. “Integrar as diferentes áreas da universidade e ao mesmo tempo produzir iniciativas que gerem impacto e visibilidade para fora da universidade: este será o papel do Fórum”, afirmou Tatiana.

A coordenadora explicou que a UFRJ tem como característica ser uma instituição fragmentada em razão da incorporação de outras instituições ao longo de sua trajetória, além dos vários campi e da multiplicidade de áreas de atuação científica existentes. Por isso, Roque vê no Fórum o papel de articulação e promotor de projetos que interliguem diferentes campos do conhecimento. “Precisamos ter mais iniciativas inter e transdisciplinares porque, afinal de contas, estamos no século XXI”, concluiu.


Reportagem: Tássia Menezes e Victor Terra
Texto: Victor Terra 
Fotografia: Bira Soares

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