Mais um passo dado rumo à reconstrução do Museu Nacional (MN). Na última quarta, 27 de fevereiro, foi inaugurada no Centro Cultural do Banco do Brasil, o CCBB, a exposição Museu Nacional Vive - Arqueologia do Resgate. A mostra exibe ao público, pela primeira vez, as peças resgatadas do incêndio ocorrido em setembro de 2018. É a segunda inaugurada pela instituição depois do acidente.

Das 180 peças expostas, 103 foram resgatadas do palácio após o incêndio. As outras 77 também fazem parte de coleções do Museu, mas foram preservadas por estarem fora da área do fogo ou emprestadas.

O resgate das peças é resultado do esforço coletivo da Comissão de Resgate de Acervos, formada por quase uma centena de integrantes, entre professores, técnicos, alunos e colaboradores de outras entidades nacionais e internacionais. “Graças a um trabalho intenso e heroico da instituição é que hoje podemos ver parte do material resgatado. Essa exposição é uma demonstração clara de que o Museu Nacional vive!”, lembrou o diretor do MN, Alexander Kellner. Ele afirmou ainda que os itens expostos no CCBB, compõem uma parcela pequena do que já foi possível recuperar durante os últimos 5 meses de trabalho da equipe.

O grupo de resgate, coordenado pela arqueóloga e pesquisadora Claudia Carvalho, auxiliou também no processo de curadoria coletiva da exposição. "É uma curadoria que a gente fez questão de compartilhar", disse Claudia. "A gente queria que as pessoas que estavam no resgate, e eram responsáveis pelas áreas, pudessem participar. Fizemos de forma coletiva", completou.

A seleção dos itens apresenta uma mescla entre objetos marcantes para a história do museu, peças que dialogam com os itens afetados pelo incêndio e as próprias peças resgatadas. É o caso do Meteorito Santa Luzia, encontrado na entrada do CCBB, que remete ao Bendegó, meteorito exibido na primeira sala de exposição do Museu Nacional até a ocorrência do incêndio.

Por meio das peças, a exposição revela detalhes do incêndio e narra ao público a história dos 200 anos do Museu Nacional. Nas duas salas da mostra, o visitante tem a oportunidade de conhecer itens de todos os departamentos de pesquisa do Museu: Antropologia, Botânica, Entomologia, Geologia e Paleontologia, Invertebrados e Vertebrados - alguns mais outros menos atingidos pelo incêndio.

Entre as peças estão a harpia embalsamada, símbolo da Associação Amigos do Museu Nacional; o crânio de um jacaré-açu, resgatado inteiro dos escombros; amostras de insetos, em um comparativo que mostra o antes e o depois de serem danificadas pelo fogo; e ainda as chamadas “peças-tipo” (as primeiras de sua espécie a serem encontradas e classificadas) de conchas e crustáceos, resgatadas durante a queima do acervo.

Arqueologia do resgate e a pesquisa transformada

A partir de peças danificadas, algumas em fragmentos, outras retorcidas ou derretidas pelas chamas, a mostra evidencia as marcas deixadas pelo incêndio e exibe a ideia de um trabalho de pesquisa interrompido e forçosamente transformado, mas ainda assim em continuidade diante de tantos obstáculos.

“Queremos que as pessoas se lembrem da tragédia que acometeu o Museu Nacional. Não é para esquecer ou modificar o passado. Ele existe e faz parte da nossa história. O que a gente precisa é aprender com ele para que tragédias como as que aconteceram com o Museu Nacional não se repitam jamais”, disse Kellner.

Doações

Além das verbas obtidas pelo MN junto a instituições de apoio nacional e internacional, doações têm contribuído de forma importante para o resgate e recuperação do acervo e das estruturas atingidos pelo fogo. Até agora, a principal colaboração tem sido de doadores anônimos por meio da conta SOS Museu Nacional. Como exemplo, as primeiras 1000 caixas usadas para coleta e armazenamento do acervo foram todas adquiridas com recursos de tais contribuições. Para saber como doar, confira as instruções na página oficial do Museu Nacional

Serviço

Museu Nacional Vive - Arqueologia do Resgate | Local: CCBB - Rio de Janeiro, Rua Primeiro de Março, 66, Centro | Dias e horários: De 27 de fevereiro a 29 de abril de 2019. Quarta a segunda, das 9h às 21h.  

Entrada franca. Classificação indicativa: livre. Informações sobre acessibilidade, estacionamento e outros serviços aqui


Texto: Victor Terra | Fotos: Eneraldo Carneiro | Revisão: Igor Soares Ribeiro 

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