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Muita gente não sabe, mas a UFRJ conta com 45 bibliotecas e acervos preciosos que abrangem todas as áreas do conhecimento. De coleções de obras raras, oriundas do século XVII a periódicos recém-publicados com descobertas inéditas no campo científico. Na condução desse universo de obras e espaços, que atendem a mais de 1 milhão de pessoas por ano, está o SiBI, o Sistema de Bibliotecas e Informação da UFRJ.

Criado em 1983, “o SiBI é uma forma organizada de reunir e gerenciar as bibliotecas que a UFRJ possui”, explica Paula Mello, que coordena o órgão desde 2003. Para ela, o SiBI atua como um “fio que une as partes”. “A filosofia do SiBI é de ser um órgão multidisciplinar e interdisciplinar. Esse é o nosso grande prazer: oferecer aos alunos acervos multidisciplinares com os mesmo direitos e deveres para todos”, conta. 

Na quinta entrevista da série Por Dentro do FCC, Paula Mello fala sobre o impacto do SiBI dentro e fora do espaço universitário e comenta a contribuição do órgão na recuperação da biblioteca Francisca Keller, do Museu Nacional, uma das mais relevantes do Brasil e da América Latina na área de Ciências Sociais e que teve seu acervo atingido pelo incêndio, em setembro de 2018. “Nós já estamos com quase 50 mil livros. Doações vêm chegando sem parar. E a participação é comovente. Acredito que, se tudo der certo, em 2020, a gente faz a reinauguração da biblioteca”, diz.

Assista à entrevista completa: 

O que é o SiBI? 

O SiBI é uma forma organizada de reunir e gerenciar 45 bibliotecas que a UFRJ possui. Os acervos são especializados e atendem ao ensino, à pesquisa e à extensão da Universidade. Nossas bibliotecas são abertas à sociedade e para uso e visitação de toda comunidade acadêmica – que tem cerca de 100 mil pessoas. Atualmente, temos em torno de 35 mil inscritos. Apesar de as bibliotecas estarem separadas fisicamente, nós fazemos o serviço de integrá-las através de uma base de dados, um catálogo virtual chamado Base Minerva. Esta base está no ar 24 horas, sete dias por semana e lá é possível consultar de uma só vez as 45 bibliotecas. É o serviço oferecido para todos da UFRJ sejam alunos, professores ou técnico-administrativos. Por exemplo, o aluno passou para o curso de Química. Lá ele tem uma biblioteca especializada de Química, mas, ao se inscrever nessa biblioteca, ele está se inscrevendo nas 45 bibliotecas. Esse é o nosso grande prazer: oferecer aos alunos acervos multidisciplinares com os mesmo direitos e deveres para todos.

Como o SiBI pode contribuir com as propostas de transdisciplinaridade e interdisciplinaridade ressaltadas pela gestão do FCC? 

A filosofia do SiBI é de ser um órgão multidisciplinar e interdisciplinar. Nós atendemos toda a UFRJ e todos os nossos serviços e produtos são desenvolvidos para minimizar a fragmentação da Universidade. Nós tentamos agir como “o fio que une as partes”. Então desenvolvemos serviços e produtos que cumprem essa função.

Conte um pouco da história do SiBI e do vínculo com o Fórum.

O SiBI começou a partir de um trabalho desenvolvido por oito bibliotecários em 1983. Na época, já havia 40 bibliotecas na Universidade e todo o orçamento era gasto de forma descoordenada, principalmente para assinatura de revistas estrangeiras. A Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) era a financiadora na época e cobrou de nós [UFRJ] uma outra sistemática em relação ao uso dos recursos orçamentários. Então, esse grupo desenvolveu um trabalho que foi organizar essa coleção de títulos - evitando duplicidades - e realizar uma aquisição centralizada. No que esse trabalho foi feito, ficou evidente a necessidade da criação de uma gerência para as bibliotecas, uma estrutura que gerenciasse pessoas, serviços e produtos. Daí surgiu o SiBI. Ele foi aprovado em 1992 como uma unidade e se instalou no Fórum de Ciência e Cultura [na ocasião localizado no Palácio Universitário, no Campus da Praia Vermelha], na estrutura da antiga biblioteca central. [Até junho 2018, o SiBI não era um órgão institucionalizado pelo Fórum de Ciência e Cultura]. [Sobre o vínculo com o FCC] É um vínculo sadio porque o Fórum é multidisciplinar, atende a toda universidade assim como nós. [O SIBI foi institucionalizado em 28 de junho de 2018, em decisão aprovada pelo CONSUNI].

Poderia explicar a estrutura do órgão? 

O SIBI é formado por uma coordenação e [quatro] divisões: de Processamento Técnico; a Divisão de Desenvolvimento das Bibliotecas; o Centro Referencial e a Divisão de Memória Institucional. Como produtos integradores, além da Base Minerva, nós temos o Pantheon, que é o repositório institucional da universidade; é o registro de toda produção acadêmica que a universidade possui. Lá estão registros de pessoas da universidade, registros digitais e de acesso aberto – liberado para consulta e publicação. Temos também o nosso portal de periódicos, que congrega todas as revistas editadas pela UFRJ. 

As bibliotecas da UFRJ são, em si, um enorme serviço de extensão que a universidade presta para a sociedade porque são abertas à população em geral. Estamos oferecendo nossas coleções, nossos espaços, além de dar lições de cidadania e de democracia porque numa biblioteca você tem condutas, tem que partilhar informação, usar acervo e obedecer regras para não prejudicar o outro. Como as bibliotecas são abertas, nós temos, em média, um público visitante de 1 milhão de pessoas ao ano. Isso não é pouca coisa. É um número muito expressivo.

Recuperação da Biblioteca Francisca Keller, do Museu Nacional.

Quando houve o incêndio do Museu Nacional, aquela tragédia inesquecível, nós tínhamos dentro do prédio do Palácio uma biblioteca de antropologia - Biblioteca Francisca Keller, o arquivo CELIN, de línguas indígenas e o arquivo SEMEAR, com toda a história do Museu – viajantes, família real, documentações preciosas. Queimou tudo… No dia seguinte [ao incêndio], logo de manhã, eu pensei o que o SIBI pode fazer para ajudar? Em relação ao SEMEAR e ao CELIN, muito pouco, mas em relação à biblioteca Francisca Keller, sim. Eu chamei os responsáveis por esses arquivos, fizemos uma reunião e eu me coloquei à disposição para começar uma campanha de formação de acervo para a nova, futura, biblioteca de antropologia da UFRJ. Naquele dia, comecei a enviar e-mails para todos os meus contatos, nacionais e internacionais, de universidades, de escolas privadas, empresas, ex-alunos, amigos bibliotecários, bibliotecas americanas, canadenses, francesas.

Nós já estamos em torno de quase 50 mil livros. Doações vem chegando sem parar. Consulados se envolveram, universidades. A comoção foi realmente internacional. E a participação é comovente. Logo em seguida a essa ação do SiBI, o programa de Pós-graduação em Antropologia Social  criou uma comissão específica para a reconstrução da biblioteca em paralelo. Então, muitas coisas eles já conseguiram, já tem espaço para a nova biblioteca, tem um projeto arquitetônico, os acervos já estão sendo guardados e já vão começar a ser tratados e eu acredito que, se tudo der certo, em 2020 a gente faz a reinauguração da biblioteca do PPGAS do Museu Nacional.

Trajetória na UFRJ

Coordenadora do SiBI desde 2003, Paula Mello é formada em Biblioteconomia e Documentação pela Universidade Federal do Rio Grande, Mestre em Ciência da Informação pelo IBICT/UFRJ e Doutora em História das Ciências e das Técnicas e Epistemologia pela UFRJ. Sua relação com as bibliotecas da UFRJ começou no IPPUR, onde atuou como bibliotecária. Em 2003, tornou-se coordenadora dos Sistemas de Bibliotecas e Informação da UFRJ, órgão que coordena até hoje. 

[Por Dentro do FCC] é uma série semanal de entrevistas que apresenta o Fórum e seus órgãos suplementares à comunidade universitária e à sociedade. Nelas, os participantes discutem os projetos e as expectativas de cada órgão para os próximo quatro anos de gestão.

Confira as entrevistas anteriores da série: 

[Por Dentro do FCC] #1 Fórum de Ciência e Cultura, com Tatiana Roque 
[Por Dentro do FCC] #2 Superintendência de Difusão Cultural, com Adriana Schneider
[Por Dentro do FCC] #3 Museu Nacional, com Alexander Kellner 
[Por Dentro do FCC] #4 Simap, com Claudia Carvalho 


Entrevista: Victor Terra
Fotografia: Bira Soares

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