Reunião de criação do NEABI-UFRJ contou com a participação do vice-reitor Carlos Frederico Leão Rocha 

A UFRJ deu mais um passo em direção à equidade étnica e racial. Foi aprovada na última semana a criação do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (NEABI), que será um órgão suplementar do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ. A decisão foi tomada por unanimidade durante a última reunião do Conselho Diretor da unidade, realizada no dia 7 de dezembro, e deve ser analisada no próximo encontro do Conselho Universitário da UFRJ.

“A criação do NEABI é um acontecimento histórico. É uma felicidade que o Núcleo esteja a partir de agora vinculado ao Fórum, um órgão interdisciplinar, que é voltado para a relação entre Universidade e sociedade”, afirmou a professora Tatiana Roque, coordenadora do Fórum.

As ações do Núcleo serão voltadas para a valorização das culturas negra e indígena, a superação do racismo e de outras formas de discriminação, além da ampliação e consolidação da cidadania e dos direitos das populações negras e indígenas. “Queremos reunir pessoas de diferentes áreas - artes, história, ciências exatas, saúde, direito e tantas outras - para que possamos pensar juntos como seria possível abordar nosso currículo, nossas pesquisas e atividades de extensão de modo antirracista, que valorize a comunidade indígena e preze por essa comunidade em sua plurietnicidade, que defenda seus direitos e os direitos das comunidades negras e quilombolas”, afirmou Gracyelle Costa, coordenadora provisória do NEABI-UFRJ e docente da Escola de Serviço Social (ESS-UFRJ).

O caráter transversal da proposta do Núcleo também foi destacado por Tatiana Roque: “O NEABI não irá restringir seu trabalho de combate ao racismo e incorporação de referências não-eurocêntricas somente às áreas sociais ou humanas. Essa é uma característica muito importante. O projeto é que essa desconstrução de referências canônicas, muitas delas racistas, seja feita em todas as áreas do conhecimento representadas no Fórum, como a biologia, a matemática, a física. Todas essas áreas estarão envolvidas nos objetivos do NEABI. Isso é absolutamente essencial neste momento da história do país”, completou Tatiana Roque.

Sobre o NEABI

O Núcleo irá promover atividades de ensino, pesquisa e extensão visando à promoção da equidade étnica e racial, e será composto por estudantes, servidores e colaboradores. “O NEABI é de todos nós da UFRJ. Todas as pessoas que têm interesse em transformar nossa sociedade em uma sociedade menos injusta do ponto de vista racial e étnico podem compor o Núcleo”, apontou Gracyelle Costa.

Os NEABIs surgiram em 2003 e fazem parte de um conjunto de políticas afirmativas, relacionadas ao cumprimento das leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, que tornaram obrigatório o ensino de História e Cultura Africana, Afro-Brasileira e Indígena em todo o país. 

neabi crop
A apresentação do Núcleo foi feita pelas professoras Gracyelle Costa (à dir.) e Rachel Aguiar (à esq.), que integram a coordenação provisória do NEABI. Ivanir dos Santos, professor colaborador do IFCS e um dos apoiadores do projeto, também esteve presente

“A proposta político-pedagógica do NEABI é centrada na formação em todos os seus aspectos: pedagógicos, de ensino, pesquisa e extensão. Queremos construir um núcleo permanente de investigação e estudo, de articulação dentro da própria Universidade e também fora dela”, afirmou Rachel Aguiar, vice-coordenadora provisória do NEABI-UFRJ e professora e coordenadora de ensino do Núcleo de Estudos de Políticas Públicas em Direitos Humanos (NEPP-DH). “Estamos empenhadas em construir ações que irão transformar as estruturas curriculares da UFRJ e fortalecer as lutas antirracistas na Universidade”, completou ela.

Com a implantação do NEABI, a UFRJ reafirma seu compromisso com as políticas de promoção de equidade étnica e racial no ensino superior do país. O NEABI-UFRJ será vinculado ao Fórum, assim como as seguintes unidades: Museu Nacional, Sistema de Bibliotecas e Informação da UFRJ, Casa da Ciência, Colégio Brasileiro de Altos Estudos, Universidade da Cidadania, Núcleo de Rádio e TV e Sistema de Museus, Acervos e Patrimônio Cultural da UFRJ. 

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