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A palestra de abertura foi realizada pela coordenadora do Fórum, Tatiana Roque (à esquerda). A mediação foi realizada por Christine Ruta (de vestido), superintendente de Divulgação Científica. Participaram do debate Rodrigo Moura (de paletó) e Fábio Hepp (à direita), do Instituto de Biologia da UFRJ | Foto: Bira Soares/ Fórum de Ciência e Cultura

 

Tatiana Roque fez palestra sobre a origem e as motivações da negação da ciência e debateu o tema com Rodrigo Moura e Fábio Hepp, do Instituto de Biologia

 

Nesta segunda (6), o Fórum de Ciência e Cultura promoveu o debate sobre como combater o negacionismo científico no Salão Azul, do Instituto de Biologia da UFRJ. O evento marcou a abertura da Semana do Meio Ambiente, que contará com palestras, oficinas e mesas de discussão sobre temas relacionados à ecologia e ao meio ambiente. 

O debate teve início com uma apresentação da coordenadora do Fórum, Tatiana Roque, que abordou a origem e as motivações do negacionismo científico. Para Tatiana, esse é um fenômeno recente e que reflete a desconfiança sobre as instituições. “Os negacionismos acusam os experts de parcialidade, eles implantam a dúvida sobre a idoneidade dos cientistas. Criam a sensação de que eles trabalham para alguém ou para alguma ideologia”, disse. 

Para Tatiana, o questionamento à credibilidade do discurso científico não se dá devido à falta de escolarização ou de conhecimento das pessoas. “O país que mais sofreu com o negacionismo na pandemia foi a França — um modelo nas políticas de educação. No Brasil, quanto mais aumentava a renda e a escolaridade mais é notado a descrença na ciência”, exemplificou. “A crise de confiança está muito mais relacionada às ciências que impactam a formulação de políticas públicas do que nos preceitos científicos propriamente dito”. 

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Para Tatiana Roque, o negacionismo tem origem na crise de confiança nas instituições | Foto: Bira Soares/Fórum de Ciência e Cultura

A coordenadora do Fórum destacou que a instituição da dúvida está vinculada à disputa dos espaços de decisão por grupos econômicos. “O presidente do INPE, Ricardo Galvão, foi demitido porque o satélite do instituto fotografou o desmatamento na Amazônia. Então, para que isso não fosse divulgado, altera-se quem está no comando. Para vocês verem a que ponto chega a disputa nas instituições de experts”, concluiu. 

Como combater o negacionismo

A solução para o atual cenário é complexa e passa por uma revisão da forma em que a academia se comunica com a população. Tatiana pontuou que é necessária a aproximação da realidade das pessoas e focar em uma abordagem pedagógica. “Para combater você precisa conhecer bastante dos assuntos. Porque a linguagem é científica, as pessoas que estão sendo influenciadas acreditam porque a forma como as questões são postas é tecnicista”, ponderou.

Já Fábio Hepp, professor do Instituto de Biologia da UFRJ, trouxe para a mesa a reflexão sobre o sentimento de pertencimento. “Uma pesquisa identificou que a defesa de teorias da conspiração libera mas dopamina no organismo. Você saber de algo que ninguém mais sabe provoca uma sensação de grupismo. É importante pensar na criação da empatia”, disse.

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Rodrigo Moura, diretor do Instituto de Biologia, destacou que é papel do cientista explicar as pessoas o que está errado na informação e não recriminá-las por acreditarem em algo equivocado. | Foto: Bira Soares/Fórum de Ciência e Cultura

O diretor do Instituto de Biologia, Rodrigo Moura, foi na mesma direção. Ele destacou que a ciência tem os mecanismos necessários para “separar o joio do trigo” — como os métodos de pesquisa e a revisão por pares, por exemplo. No entanto, a população em geral não costuma compreender tais processos e, ao mesmo tempo, não dispõem de conhecimento especializado. “O cientista não pode apenas dizer que está errado, ele deve mostrar o erro, provar para as pessoas”, concluiu.

Fábio Hepp acrescentou que o problema não estão nos “filtros” da comunidade acadêmica sobre a produção de conhecimento. Para Fábio, o problema está na contraposição entre “produtivismo” e “ética”. Ele explica que o tempo de desenvolvimento das pesquisas deve ser respeitado e que não deve ser estimulado a publicação de artigos somente pelo registro de trabalhos realizados. “A gente tem que trabalhar mais o leitor do que no filtro de quem produz”, afirmou.

 

Assista à mesa redonda.

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