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Participaram da mesa redonda (da esquerda para a direita): Rômulo Neris, doutor em Imunologia pela UFRJ; Christine Ruta, superintendente de Divulgação Científica do Fórum; e Hugo Fernandes, professor da Universidade Estadual do Ceará

 

Mesa redonda reuniu especialistas que enfatizaram a importância de aproximar a Ciência da sociedade

Na quinta-feira (9), o Fórum de Ciência e Cultura promoveu um debate sobre divulgação científica no auditório Pangeia, sediado no Centro Ciências Matemáticas e da Natureza, no Fundão. O encontro contou com a participação de Tatiana Roque, coordenadora do Fórum; Christine Ruta, superintendente de Divulgação Científica do Fórum; Hugo Fernandes, professor da Universidade Estadual do Ceará (UECE); e Rômulo Neris, doutor em Imunologia pela UFRJ. 

Durante a mesa redonda, os especialistas concordaram que a divulgação científica ganhou espaço na agenda pública com a emergência da pandemia. Mas destacaram que promover o discurso acadêmico não é uma atividade meramente institucional, como se fosse um serviço de comunicação corporativa ou assessoria de imprensa das instituições de pesquisa. 

O que é a divulgação científica

Divulgação científica é toda e qualquer atividade cujo fim é aproximar a Ciência da sociedade. Hugo Fernandes salientou que, apesar das definições mais comuns, a atividade não trata de traduzir o discurso acadêmico, mas de torná-lo acessível. Ele ressaltou que a função da Ciência é promover o progresso social e impactar a população. “A Ciência precisa do outro. Se é produzido um artigo e ele não é divulgado, ele não é válido”, disse. 

Segundo o professor, em tempos de grande fluxo informacional e em que a Ciência consegue se atualizar cada vez mais rápido é necessário que o discurso vindo da academia seja disseminado. Para ele, é importante que as pessoas se aproximem da comunidade científica para que elas consigam entender melhor o seu trabalho. “A divulgação científica é necessária para formar a opinião, formar a sociedade de que o trabalho da ciência precisa ser valorizado”, afirmou Hugo. 

O doutor Rômulo Neris foi na mesma direção e destacou a importância de a sociedade se enxergar no trabalho científico. “A principal ideia é fazer com que a população pense, compreenda, entenda os processos que a gente está fazendo e como eles estruturam a vida dela”, pontuou. “A ideia é conseguir que a população seja uma parceira da nossa caminhada”. 

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Especialistas analisaram que a função da divulgação científica é ambientar a sociedade ao trabalho da comunidade acadêmica, o propósito da atividade é construir o entendimento de que a Ciência faz parte do cotidiano e impacta a vida das pessoas

Linguagem mais acessível

A superintendente de Divulgação Científica do Fórum, Christine Ruta, por sua vez, acrescentou que o grande desafio da comunidade acadêmica é melhorar a sua comunicação. “A gente tem que aprender a fazer contato não só com o meio político, mas com o jornalismo também. A gente tem que, de alguma maneira, fazer uma simbiose da universidade com a sociedade, porque a gente tem que dizer não ao retrocesso”, afirmou.

Para Tatiana Roque, coordenadora do Fórum, a comunicação contextualizadora e pedagógica é importante para que as pessoas percebam o ganho que podem ter com o avanço científico. Ela citou o caso da desinformação produzida sobre os imunizantes contra a covid-19: “No Brasil, por exemplo, o negacionismo das vacinas não foi tão forte, porque a gente tem políticas públicas de vacinação de muito sucesso e que são reconhecidas pela sociedade”. 

A professora seguiu dizendo que o negacionismo científico recai justamente em situações em que a ciência é usada como parâmetro para a tomada de decisões. Isso porque há uma crise de confiança nas instituições e, sendo assim, o discurso científico é posto em dúvida por ser atrelado a interesses ideológicos. “Esse lugar em que a Ciência vinha sendo usada como base para elaboração de políticas públicas, esse lugar hoje está em disputa, está sobre ataque”, frisou Tatiana. 

Assista à mesa redonda na íntegra.

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