Mesa de AberturaMesa de abertura contou com a presença do vice-reitor Frederico Leão, da reitora Denise Carvalho e da coordenadora do FCC Tatiana Roque

Celebrando seu legado e projetando o que a universidade quer para o futuro, a UFRJ deu a largada nas comemorações dos seus 100 anos, que serão completados em 2020. Além de brindar o décimo nono aniversário da UFRJ, no último dia 7, a celebração abriu oficialmente o calendário de atividades do centenário anunciando oficialmente eventos como a realização de dois concertos no Theatro Municipal e pelo menos dois seminários internacionais. 

As comemorações, organizadas pelo Fórum de Ciência e Cultura, serão realizadas durante os próximos 12 meses. A proposta é fazer do projeto UFRJ Faz 100 Anos um momento para pensar a universidade em três perspectivas: passado presente e futuro, conforme explicou a coordenadora do FCC, Tatiana Roque. “Do passado, queremos pensar a valorização da memória e do legado, no presente, os desafios que precisarão ser enfrentados e,  para o futuro, pensando que universidade queremos ser daqui a 100 anos”.

Na visão da coordenadora, os “100 Anos podem ser esse lugar de encontro”, funcionando tanto como espaço de integração das diferentes áreas da universidade, que é historicamente fragmentada, como espaço de aproximação junto à sociedade. “Temos que mostrar o que a gente faz aqui e também ouvir. A gente precisa cada vez mais do apoio da sociedade”, disse. Celebrando sem deixar de ser propositivo, o centenário será marcado por atividades tanto de natureza comemorativa como de ordem reflexiva. Segundo Tatiana, o grande objetivo do projeto é “fazer com que a UFRJ seja referência para o que a gente quer para o futuro do país".

Além de ser a mais antiga, a UFRJ é a maior universidade federal do Brasil. Mais de 5.000 profissionais, 3.000 mestres e doutores e 2.500 alunos de especialização são formados por ano na instituição, que conta com 176 cursos de graduação, 224 de pós-graduação, 70.000 alunos – de graduação e pós-graduação, 4.200 docentes, 11.000 técnicos-administrativos e terceirizados – quantitativos que correspondem à população de um município de médio porte e que expressam a relevância da UFRJ no cenário educacional, científico e cultural em termos nacionais e internacionais.  

Foto Plateia
Comemoração reuniu cerca de 200 pessoas

“Os números traduzem a trajetória vitoriosa da UFRJ”, afirmou a reitora Denise Pires, que compareceu ao evento e reafirmou o pioneirismo da instituição. Fundada em 1920, sob a alcunha “Universidade do Rio de Janeiro”, a UFRJ incorporou instituições de formação superior já existentes, a mais antiga delas, a Real Academia de Artilharia, Fortificação e Desenho, criada em 1792, depois renomeada como Escola Politécnica. Junto a ela, foram incorporadas a Faculdade Nacional de Medicina, criada em 1808 como Academia de Medicina e Cirurgia, e a Faculdade Nacional de Direito, inaugurada em 1891. Anos mais tarde, seriam incorporadas a Escola de Música, a Faculdade Nacional de Filosofia e a Escola Nacional de Belas Artes.  

“Nesses quase 100 anos, temos a certeza de que contribuímos para o avanço sociocultural, artístico, cientifico e tecnológico do Brasil. Cumprimos a nossa missão social com maestria. Chegaremos ao centenário com números que nos enchem de orgulho”.

Para Denise, é fundamental que a universidade esteja cada vez mais em contato com a sociedade, evitando o que classificou como "encastelamento". “Não é isso que se espera da academia no século XXI. Universidades precisam continuar a influenciar a sociedade na direção de um futuro que garanta justiça e inclusão social à nação, cuidado com o meio-ambiente e inovação social e tecnológica”, afirmou. O protagonismo da instituição em momentos de dificuldade foi lembrado pelo vice-reitor Carlos Frederico Leão Rocha: "A importância da Universidade ultrapassa qualquer tipo de ataque que ela tenha sofrido ou venha a sofrer. A importância da UFRJ nesse momento do país é ímpar. Não podemos esquecer disso. Vamos comemorar bastante os 100 anos e vamos abrir caminho para os próximos 100", disse.

Primeiros eventos confirmados

A UFRJ anunciou dois concertos no Theatro Municipal em homenagem ao centenário. Um de abertura, marcado para 2 de abril de 2020 e outro de encerramento, marcado para 23 de outubro de 2020. Além disso, a organização anunciou também a realização de dois seminários internacionais: o Amanhãs Desejáveis, em abril, e o UFRJ+100: Propostas para o Brasil, em outubro - ambos organizados pelo CBAE.

Outro projeto anunciado é o de recuperação da estrutura elétrica do prédio sede do CBAE onde foi realizado o evento. A ideia é aproveitar as comemorações como estratégia para revigorar alguns espaços com urgência. “Por isso fizemos este evento aqui. Queremos que esse prédio seja central nas comemorações dos 100 anos. Nosso projeto é conseguir, em setembro do ano que vem, fazer uma grande exposição no andar térreo, com novas instalações elétricas”, explicou Tatiana.

Integrar a marca dos 100 Anos com eventos internos é outro objetivo do projeto.  SIAC, Semana de Ciência e Tecnologia, FestFIC, Conhecendo a UFRJ, entre outras atividades de ensino, pesquisa e extensão deverão ter programações voltadas para o centenário. Para a comunicação, além do site oficial recém-criado – 100anos.ufrj.br, a organização irá lançar um aplicativo de geolocalização que conta a história dos prédios da UFRJ, programas de podcast e vídeos. As ações são uma parceria com a Coordenadoria de Comunicação, a CoordCom/UFRJ, e o Núcleo de Rádio e TV, uma unidades do Fórum de Ciência e Cultura.

Outras parcerias externas estão sendo discutidas, como uma coluna em jornais de grande circulação na cidade para a publicação de artigos sobre o centenário, a participação na FLIP 2020 (Feira Literária Internacional de Paraty) e a organização de exposições junto a centros culturais da cidade. Para compor tais mostras e auxiliar na pesquisa de material para os eventos, Tatiana Roque destacou que será necessário um trabalho de recuperação de arquivos e memória institucional nas unidades e que conta com a participação da comunidade universitária.

Sete comitês estão sendo formados para trabalhar em diferentes frentes como memória, arte, comunicação, financiamento, mapeamento de ex-alunos, atividades externas e relações institucionais. Ainda há espaço para interessados em participar. "Para tudo isso a gente vai precisar de vocês. O FCC vai estar à frente, mas não faz sentido se não houver engajamento de toda comunidade universitária”, completou Tatiana.

15 anos do CBAE

O Colégio Brasileiro de Altos Estudos (CBAE) também teve seu aniversário celebrado no evento. Fundado em 7 de setembro de 2004, o CBAE é um dos órgãos suplementares do Fórum de Ciência e Cultura e tem como objetivo o encontro de pesquisas e pesquisadores de ponta dos diversos campos do conhecimento.

Mesa CBAE
Da esq. para a dir., Nelson Barbosa, Ana Célia Castro, Elisa Reis e Stevens Rehen

Para Ana Célia Castro, diretora do órgão, os 15 anos são uma “comemoração de continuidades”. Ela reforçou o valor interdisciplinar da entidade, que tem como missão integrar diferentes áreas do conhecimento, promovendo debates que superem os muros da universidade e alcancem a sociedade. “O conceito que me ocorre nesses tempos difíceis é o dos 15 anos como momento de formação, de preparação para o futuro, do exercício da reflexão, do reaprendizado”, disse. Nesse sentido, o CBAE aproveita este momento de celebração “para produzir questionamentos, se perguntar sobre os amanhãs desejáveis, sobre a universidade do futuro próximo e sobre as propostas para o Brasil em todos os campos do conhecimento de atuação que teremos a ousadia de abordar. Então, nada mais oportuno do que iniciar esse novo ciclo com a discussão dos novos paradigmas”, disse a diretora.

Esse foi o tema da mesa composta pelos professores Nelson Barbosa (UnB, ex-ministro do Planejamento e da Fazenda e ex-docente do Instituto de Economia da UFRJ), que falou sobre o Novo Pacto Verde; Elisa Reis (PPGSA/UFRJ), que discutiu Os desafios das ciências sociais em repensar o progresso e Stevens Rehen (ICB/UFRJ) que tratou da necessidade de um cientista de se reinventar

O evento contou ainda com a participação do grupo Violões da UFRJ, formado em 2003 a partir da iniciativa do professor Bartholomeu Wiese (Escola de Música). Apoiado pelo PROART/UFRJ, o grupo se apresentou no começo da noite com um repertório de músicas populares de autoria de compositores como Jacob do Bandolim, Pixinguinha e Tom Jobim.

Violoes da UFRJViolões da UFRJ tem em sua formação instrumentos como cavaquinho, bandolim e violões de 6 e 7 cordas 

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Reportagem: Victor Terra 
Fotografia: Eneraldo Carneiro

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