Em reunião realizada  em 02.08.2012 com comissão da ocupação do imóvel da Av. Venceslau Brás, 215, representantes do Fórum de Ciência e Cultura e da Prefeitura Universitária da UFRJ voltaram a advertir os estudantes sobre os graves riscos a que estão expostos no prédio reintegrado.

Durante o encontro, foi entregue aos representantes estudantis Memorando do Coordenador do Fórum, prof. Carlos Vainer. O documento reitera, uma vez mais, as preocupações e propostas da administração da universidade para garantir, ao mesmo tempo, o direito à livre manifestação estudantil e as condições de segurança e integridade dos manifestantes, do patrimônio público e da população residente no entorno do prédio ocupado.

O Memorando, endereçado ao estudante Rafael Papadopulos, representante do Diretório Central dos Estudantes, DCE Mário Prata, da UFRJ, no Conselho Diretor do Fórum de Ciência e Cultura, segue adiante reproduzido:

Prezado Estudante,

Por várias vezes, nas conversas que mantive com estudantes na noite e madrugada seguintes à ocupação do imóvel da UFRJ sito à Avenida Venceslau Brás 215, chamei sua atenção para os enormes riscos que correm em virtude das condições insalubres e da precaríssima situação das redes elétrica e hidráulica, bem como das possibilidades de queda de parcelas da cobertura, entre outros. Na ocasião, sugeri que se deslocassem para imóveis vizinhos da UFRJ – Casa da Ciência e Espaço UFRJ, sem prejuízo da permanência de cartazes e faixas onde ora se encontram.

A mesma advertência e recomendação foram feitas pelo Prof. Carlos Levi, Magnífico Reitor, durante a reunião realizada no dia 25 de julho.

Venho, por meio deste, reiterar e formalizar a advertência e recomendação. Os riscos são graves, tanto maiores quanto mais se prolonga a ocupação e quanto mais numeroso o contingente de pessoas presentes naquele espaço para as diversas atividades que se vêm realizando – e que poderiam ocorrer, com total segurança, nos espaços vizinhos acima indicados.

Foi com verdadeira inquietação que tomei conhecimento de que pretendem promover churrascos, espetáculos utilizando a rede elétrica e outras atividades que apenas agudizam os riscos já enormes pela sua simples presença.

Cônscio de minhas responsabilidades, não poderia deixar de comunicar-lhe a mensagem recebida do Prof. Luiz Felipe da Cunha e Silva, de nossa Faculdade de Arquitetura, que, por solicitação de estudantes, fez uma avaliação das condições de uso do espaço em tela. Envio-lhe, em anexo, o que me comunicou, e que já era de meu conhecimento e que venho tentando transmitir a você e seus colegas.

Neste contexto, venho reiterar e formalizar o que, na madrugada de 24 para 25 próximo passado, já informei verbalmente, através de leitura de documento que se recusaram a assinar, a saber:

a)      a ocupação em curso representa enorme risco para a integridade do imóvel e dos bens de terceiros ali guardados, bem como, e, sobretudo, para a saúde e integridade física dos estudantes que ali se encontram;
b)      a fim de preservar a integridade do imóvel e dos estudantes da UFRJ, e outros que se agregaram à manifestação, oferecemos o espaço contíguo da Rua Lauro Muller 01, para que deem continuidade à ocupação, podendo manter no prédio atualmente ocupado todos os sinais de sua manifestação, como faixas e cartazes;
c)      o Diretório Central dos Estudantes é inteiramente responsável por qualquer dano que vier a ocorrer ao imóvel e aos bens de terceiros sob a guarda da UFRJ, bem como por acidentes envolvendo os estudantes que ora ocupam o prédio.
Também queremos reiterar o que segue:
a)      a UFRJ já manifestou, por decisão do Conselho Universitário,  seu reconhecimento da justeza das reivindicações que integram a pauta dos movimentos, bem como a legitimidade da atual paralisação;
b)      o Fórum de Ciência e Cultura, em nenhuma circunstância, tomará qualquer iniciativa para constranger o livre direito de expressão e manifestação do corpo social da UFRJ;
c)      isso não obstante,  tendo em vista que a cessão de espaços menos críticos e vulneráveis já havia sido negociada e autorizada, o Fórum de Ciência e Cultura considera, ademais de arriscada, inoportuna, extemporânea e indevida a atual ocupação do imóvel da Avenida Venceslau Brás, 215.
Estou certo de que estamos unidos na luta por assegurar meios e modos que permitam devolver a casa de espetáculos ora ocupada à destinação da qual jamais deveria ter-se afastado, qual seja, a de ser um equipamento público e universitário, não mercantil, sem fins lucrativos, voltado para a difusão da arte, cultura e música e para a formação educacional e cultural dos estudantes da UFRJ e demais instituições de ensino, inclusive de ensino fundamental e médio. Estou certo de que estamos unidos na convicção de que este imóvel, propriedade da UFRJ, constitui patrimônio cultural da cidade do Rio de Janeiro e que, em consequência, deveremos encontrar conjuntamente, assim como através de cooperação com órgãos públicos responsáveis pela educação, cultura e arte, as formas que permitirão compatibilizar seu caráter público e universitário com a retomada dos espetáculos de música popular brasileira que projetam nacional e internacionalmente a cultura de nossa cidade e país.
Na expectativa de que nossa advertência e recomendação sejam devidamente consideradas e que o diálogo seja mantido, subscrevo-me

Saudações universitárias

Prof. Carlos Vainer
Coordenador do Fórum de Ciência e Cultura
 

(fonte: www.ufrj.br/)



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