“As universidades têm papel estratégico para o desenvolvimento do país”, diz Renato Janine, presidente da SBPC
Presidente da SBPC diz não ser possível pensar o progresso do país sem o investimento adequado em educação
Palestrante do evento realizado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para celebrar o bicentenário da Independência, Renato Janine Ribeiro, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), diz não ser possível pensar o progresso do país sem o investimento adequado em educação. Para ele, a universidade tem papel fundamental nesse processo e precisa do entendimento e do apoio da sociedade.
Janine Ribeiro é um dos nomes confirmados no evento “Bicentenário da Independência e os rumos do Brasil”, organizado pela UFRJ, no auditório Pedro Calmon, no campus Praia Vermelha, no dia 15 de setembro. Ex-ministro da Educação do governo Dilma Rousseff (2015), ele participa da mesa-redonda “O papel da universidade na (re)construção da Independência do Brasil”, às 18h.
A comunidade universitária tem um papel muito relevante não apenas na interlocução com a sociedade, mas também no estudo de diversas ciências que são capazes de encontrar caminhos para melhorar a vida das pessoas em diferentes esferas da sociedade, diz ele.
Por meio de estudos técnicos, afirma Janine, é possível elaborar diagnósticos sobre as diferentes realidades da população, fornecendo dados confiáveis e importantes que podem auxiliar no combate à desigualdade, pobreza, fome e ao desemprego. E, a partir desses mapeamentos, afirma, as instituições têm como auxiliar os governos na elaboração de políticas públicas capazes de sustentar a transformação do país.
Para Janine, a universidade deve ser pensada como um sistema de formação de recursos humanos, em que há produção de conhecimento, desenvolvimento tecnológico, promoção da cidadania e também a prestação de serviços à sociedade.
Reflexo da pluralidade de ideias, as universidades têm no ambiente acadêmico o debate como a maior riqueza, ressalta Janine. Para ele, a politização é inevitável e é natural que nem toda a comunidade acadêmica pense da mesma forma. No entanto, o presidente da SBPC destaca que, assim como na sociedade como um todo, é preciso que no ambiente universitário “haja aceite convicto dos princípios básicos do respeito
ao outro, que passam pela ética e pela democracia”.
Para Janine, os recentes cortes de verbas para a educação são preocupantes, e a redução de recursos para despesas de custeio e investimento prejudica os esforços em pesquisa e a entrada de novos alunos no ensino superior.
Mas, mesmo diante desse cenário difícil, as universidades contam com uma gestão de excelência que permite a manutenção da qualidade da produção acadêmica e do ensino, diz ele. E nossos pesquisadores têm muita resiliência, resistem às piores condições mas, mesmo assim, estamos chegando ao limite do que se pode suportar.