Fórum discute a construção de uma economia sustentável
Evento realizado na Praia Vermelha recebeu a ex-ministra do Meio Ambiente Izabella Texeira e Carlos Eduardo Young, coordenador do GEMA-IE/UFRJ
O Fórum de Ciência e Cultura discutiu a construção de um green new deal para mitigar os efeitos das mudanças climáticas e estabelecer uma economia sustentável. A coordenadora do Fórum, Tatiana Roque, mediou a mesa redonda que recebeu Izabella Teixeira, ex-ministra do Meio Ambiente, e Carlos Eduardo Young, coordenador do Grupo de Economia do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (GEMA-IE/UFRJ). O evento foi realizado na quinta-feira (9) no Salão Vermelho, no campus da Praia Vermelha, em Botafogo.
Carlos Eduardo Young frisou em sua palestra a necessidade de se repensar o modelo civilizatório que é adotado na atualidade. Segundo ele, a organização da sociedade é predatória e tende a minimizar as questões ambientais frente às demandas econômicas.

Carlos Eduardo Young destacou a importância de desenvolver uma política econômica a partir da ótica do desenvolvimento sustentável e não apenas de uma economia que proponha programas que visem a mera mitigação da degradação do meio ambiente | Foto: Bira Soares/Fórum de Ciência e Cultura
Dessa forma, o coordenador do GEMA analisou que a promoção da proposta de um novo pacto verde deve considerar os aspectos econômicos como triviais para o convencimento dos tomadores de decisão. “Do ponto de vista político, se você não apresentar uma proposta com solidez fiscal, não tem como viabilizá-la. Pelos dois lados da política fiscal, seja orçamentário ou de tributação”, destacou.
Para Carlos Eduardo, é necessário reverter a tendência de privatização da economia brasileira, que tende a reduzir a participação do Estado na economia e a permitir que certas práticas se perpetuem, ainda que elas não gerem tantos benefícios quanto se pressupõe que produziriam. O agronegócio foi utilizado como exemplo, já que é um dos setores que mais cresce a sua produção no Brasil, mas que também é um dos líderes no fechamento de postos de trabalho.
O professor mencionou que o discurso em prol da menor regulação da demarcação de terras e da redução das áreas de preservação ambiental é a estratégia “mais antieconômica e anticivilizada” para ter ganhos de produção. Ele ressaltou que o desmatamento não atinge somente o clima, mas promove a perda de biodiversidade e compromete o desenvolvimento de pesquisas. “Há povos não contactados morrendo, isso é perda de conhecimento, de riqueza. Além disso, estamos perdendo uma biblioteca de conhecimentos sobre espécies não catalogadas, a maioria das plantas só tem nome de registro científico, nem nome popular elas têm ainda”, pontuou.
O meio ambiente é da sociedade
A questão, no entanto, não se resume a decisões tomadas por governantes e políticos. Izabella Teixeira, ex-ministra do Meio Ambiente, destacou que é necessário mobilizar a população, fazê-la sentir que a natureza impacta em sua vida e que ela é um patrimônio a ser preservado. “Meio ambiente é bem público, se é bem público, ele é da sociedade”, disse.

Izabella Teixeira, ex-ministra do Meio Ambiente, encerrou sua fala dizendo que não basta votar em políticos que apresentem o meio ambiente como plataforma de atuação, a população deve se comprometer com a causa e auxiliar na implantação do novo pacto verde | Foto: Bira Soares/Fórum de Ciência e Cultura
A apropriação do meio ambiente deve ser entendida como força de mobilização. A ex-ministra explicou que é necessário o engajamento da sociedade para dar força e implementar uma agenda em prol do desenvolvimento sustentável. “O papel enquanto sociedade não é só mudar quem governa, mas se comprometer e trabalhar essa agenda para que ela realmente possa ser uma alternativa viável para o país crescer junto com a natureza, não contra a natureza”, disse.
No encerramento de sua fala, Izabella buscou descontruir a imagem popular do Brasil de ser “o país do futuro”, que se tornou muito difundida após a publicação do livro homônimo de Stefan Zweig na década de 1940. A ex-ministra argumentou que há de se mudar o paradigma pelo qual o país é colocado na discussão sobre desenvolvimento. “O Brasil não é o país do futuro, ele está no futuro. A escolha de como vamos estar no futuro é nossa”, concluiu.