“A Chapa Esquentou, Cria!”: estudantes são estimulados à mobilização em aula de encerramento

Curso de formação de jovens lideranças para atuação em prol da causa ambiental teve sua última aula no sábado (28)

O curso “A Chapa Esquentou, Cria! — Reação aos Impactos da Emergência Climática nos Territórios” foi concluído no último dia 28 de maio. Os alunos tiveram aulas sobre justiça ambiental, educação ambiental e mobilização social. Além disso, apresentaram os trabalhos de conclusão de curso e planejaram o ato em prol da emergência climática, que será realizado no sábado (11).

A abertura do dia foi feita por Carlos Milani, professor do Instituto de Estudos Sociais e Política (IESP-UERJ), que falou sobre justiça ambiental. Milani destacou em sua palestra a necessidade de haver políticas que levem em conta a gestão ambiental. “Está mais do que na hora de pensarmos em parceria com a natureza, não de dominação”, afirmou.

O professor explicou que a justiça ambiental considera a responsabilidade compartilhada pelos Estados, empresas e indivíduos pelas alterações no clima, mas destacou que há de ser analisados os fatores atenuantes e agravantes que são definidores para a cobrança por soluções.

Segundo Milani, a justiça ambiental tem três dimensões: espacial, política e temporal. Isso porque devem ser levados em conta questões como o efeito direto da devastação sobre a população das áreas afetadas pela ação humana, modelo de produção, políticas adotadas e histórico de degradação da natureza. “Deve ser ponderado quais são as responsabilidades causadoras das mudanças climáticas e reparadoras sobre os impactos”, pontuou. Para o professor, a pauta ambiental ainda não tem a atenção devida por parte do poder público, classe política e empresas.

laisa freire da palestra em curso sobre mudancas climaticas

Laísa Freire, do Instituto de Biologia da UFRJ, destacou em sua palestra a importância da educação no processo de mobilização para a causa ambiental. Foto: Samuel Costa/Fórum de Ciência e Cultura

Em seguida, Laísa Freire, do Instituto de Biologia da UFRJ, fez uma explanação sobre o conceito de “bem viver”, descrito por Alberto Acosta no livro “O Bem Viver: uma Oportunidade para Imaginar Outros Mundos”.  A professora destacou que para reverter o atual cenário é necessário ampliar a consciência social sobre o convívio com o meio ambiente. “Quando a gente fala em transformação, estamos pensando num processo de educação em termos do que constitui as realidades para fazer as proposições de mudanças”, disse.

Laísa destacou a importância da adoção de métodos pedagógicos que considerem a vivência de cada população, que aproximem os problemas ambientais daqueles experimentados pelas pessoas. “A agenda climática não pode se apresentar como algo imposto a nível global. Tem que ser gestada a partir da proposição de soluções para problemas locais”, ressaltou.

Mobilizando a população para a emergência climática

Para a professora, é importante o desenvolvimento do sentimento de pertencimento à causa. “No coletivo podemos reconhecer a nossa pequeneza e o privilégio de encontrar pessoas que compartilham dos mesmos valores que nós e de nos sentir ouvidos”, afirmou.

amanda costa faz palestra sobre mobilizacao para emergencia climatica

Amanda Costa, do Perifa Sustentável, refletiu sobre o papel dos jovens moradores de periferia na causa climática. Foto: Samuel Costa/Fórum de Ciência e Cultura

Amanda Costa, do Instituto Perifa Sustentável, foi na mesma direção durante sua palestra. Ela estimulou a reflexão sobre qual é o papel do jovem que vive em regiões periféricas na luta pela preservação do meio ambiente. “Até quando a gente vai se permitir ser governado por outros? A transformação é coletiva”, disse. “O nosso papel é de mobilização, de intervenção, de participação e de cooperação”.

Já Thaiane Maciel, do Canal Novo Mundo, fez uma apresentação sobre estratégias de advocacy — atuação política cujo objetivo é influenciar a formulação de políticas públicas. Incentivou que os alunos se reunissem para promover ações de contenção da degradação do meio ambiente e que eles se juntassem ao Canal Novo Mundo nas atividades de recolhimento de lixo das praias. Além disso, ela destacou que a ação não se encerra na luta pela preservação do planeta, mas também tem valor econômico. “Resíduo é dinheiro, quando os depositamos em aterros sanitários estamos perdendo dinheiro”, ressaltou.

Aprendizado na prática

tatiana roque ouve alunos em curso sobre mudancas climaticas

Tatiana Roque, coordenadora do Fórum, ouviu sugestões dos estudantes para a realização do ato em prol da emergência climática, que será feito no dia 11 de junho. Foto: Samuel Costa/Fórum de Ciência e Cultura

A coordenadora do Fórum de Ciência e Cultura, Tatiana Roque, comandou a formulação da manifestação que será realizada pelos alunos do curso em frente ao Museu de Arte do Rio (MAR) no sábado (11) . “O nosso objetivo é ensinar sobre temas estratégicos e urgentes, mas não podemos ficar só dentro da universidade”, pontuou. “Temos que ir para além dos muros, temos que alinhar conhecimento e ação. Por isso devemos pensar no que fazer, em como mobilizar a população”, concluiu.

Os estudantes batizaram a manifestação de “Agora é a Hora”. A ação contará com a instalação de cordas que sustentarão resíduos e marcarão os locais da Praça Mauá, onde fica o museu, que a água do mar pode alcançar com o aumento do nível dos oceanos. Também será realizada uma intervenção artística, organizada pelos alunos da UFRJ, e entregue um manifesto às autoridades públicas com reivindicações para os territórios onde vivem os alunos.

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