Preservação da Amazônia é prioridade para o país, afirmam especialistas
Valorização do potencial ecológico, regulação, fiscalização e estratégias sociais de desenvolvimento da região amazônica foram analisados em evento
O evento “Bicentenário da Independência e os rumos do Brasil”, realizado pelo Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, em comemoração aos 200 anos da data, reuniu cientistas e pesquisadores para discutir como a Amazônia pode se desenvolver de forma socialmente responsável. Mediada pelo professor Fábio Scarano (UFRJ), a mesa contou com a participação de Esther Bemerguy, vice-presidente do Conselho Editorial do Senado, Carlos Nobre, ex-presidente do Capes, João Pacheco de Oliveira, do Museu Nacional/UFRJ, e de Ennio Candotti, do Museu da Amazônia (MUSA).
Para Esther Bemerguy, Vice-presidente do Conselho Editorial do Senado, o desafio da preservação e desenvolvimento da região amazônica é um desafio antigo.
Estamos há mais de cinquenta anos cientes dessa realidade. Devemos compreender a dramaticidade deste momento, que já fizemos várias tentativas frustradas de enfrentar esse problema. A realidade climática é grave e esse modelo econômico não se mostrou capaz de acabar com a fome, uma coisa básica.
Para ela, as iniciativas aplicadas no passado colocam em risco a biodiversidade e afetam o mundo como um todo.
Nós temos que olhar para a Amazônia com muita responsabilidade, tanto em relação à sua preservação, quanto com a forma em que podemos intervir nessa floresta. Temos um histórico muito ruim de intervenções

Amazônia é um ambiente complexo e seu desenvolvimento deve ser conduzido de forma responsável, avaliam pesquisadores | Foto: Reprodução
Apesar do Brasil ser uma potência na exportação de alimentos, com grandes áreas de monocultura, é necessária atenção para que a Amazônia não receba a mesma estratégia. Carlos Nobre, ex-presidente do Capes, reforçou a valorização da biodiversidade como prioridade para a região.
Tirar a floresta e substituir por pecuária, monocultura ou exploração da mineração? Não. O maior potencial da Amazônia está na biodiversidade. Cooperativas que exploram dezenas de produtos da Amazônia eram classe E, e hoje atingem classes C e até B. Precisamos construir uma nova bioeconomia, mantendo a floresta em pé
Para João Pacheco de Oliveira, do Museu Nacional/UFRJ, a comunidade internacional também deve se comprometer. Segundo o professor, também é preciso ter cuidado com as exigências internacionais, que também apresentam incoerências em suas próprias políticas de defesa do meio ambiente.
Esforços são necessários para evitar crise climática
As contradições são evidentes. Vários países europeus e os Estados Unidos se empenham na defesa de políticas ambientais, mas existem interesses contraditórios e poderosos dentro desses países. Ao mesmo tempo, são fator fundamental para mudar o modelo de desenvolvimento no Brasil
Parte da responsabilidade no trato com a região está inclusive em seu potencial científico. A origem desse bioma está ligada a eventos ocorridos a cerca de 6 milhões de anos. Ennio Candotti, do Museu da Amazônia (MUSA), observou o valor histórico e biológico carregado pela região.
É um grande laboratório da evolução e talvez o último que permita estudar as etapas da evolução, presentes na observação direta ou por meio da análise do DNA dos seus personagens. Nós temos que preservar as sementes. Temos sementes que os bancos de semente do mundo não têm. Podem ser sementes estratégicas para garantir a segurança alimentar do planeta todo
No dia 21, o Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ promoveu as mesas “Desafios da Soberania Tecnológica“, Desafios para a Soberania Territorial”, além do debate sobre o desenvolvimento sustentável da Amazônia. Os encontros estão disponíveis na íntegra no canal do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ no Youtube.