UFRJ cria Instituto de Futuros
Lançado no evento em comemoração ao bicentenário da Independência, projeto abre espaço para o mundo em transformação
O evento Bicentenário da Independência e os rumos do Brasil, realizado pelo Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ, nesta quinta-feira (15/9), marcou o lançamento do Instituto de Futuros, que vai funcionar como um hub de conhecimentos, com conexões dentro e fora da instituição. Hoje, a UFRJ tem um grande número dos chamados projetos portadores de futuro inseridos em redes nacionais e internacionais, cujos pesquisadores poderão, a partir do novo instituto, passar a pensar juntos em soluções inovadoras. Entre os temas que atualmente despertam atenção na universidade estão transição energética e cidades inteligentes.
“Hoje, podemos criar o Instituto de Futuros porque temos capital humano. Se perdermos esse capital, o Brasil seguirá como país periférico da América Latina, sem conseguir se desenvolver. Portanto, contar com o Instituto de Futuros é um alento. Com ele, estamos pensando em sustentabilidade, transição energética, transição econômica e inteligência artificial”, explicou a reitora da UFRJ, Denise Pires de Carvalho.
Diretora do Colégio Brasileiro de Altos Estudos (CBAE), Ana Célia Castro diz que institutos semelhantes em universidades fora do país serviram de inspiração. O órgão, que até o fim do ano passará pelo Conselho Universitário, ficará ligado ao Fórum de Ciência e Cultura.
“O instituto vai atuar como avaliador de projetos e, ao conhecê-los, poderá projetar ações concretas que podem resultar em amanhãs desejáveis no Rio de Janeiro e no país. Amanhãs ancorados na ética, no bem comum e que têm o indivíduo no centro de uma sociedade sustentável e inclusiva”, afirmou Ana Célia.
“A universidade possui um número significativo de projetos que estão na fronteira do conhecimento, mas que conversam pouco entre si. Queremos organizar essa rede, conectar esse conjunto de atividades, não só dentro da universidade. Nosso objetivo é que o instituto tenha um impacto positivo na sociedade, constituindo um hub de conhecimentos sem fronteiras”, acrescentou Ana Célia, afirmando que essa rede poderá ter a participação de governos, da sociedade civil e da iniciativa privada.
Uma nova visão para a interação entre ser humano e máquinas

Alessandro Mongili: o mundo do futuro exige relações mais ecológicas entre humanos e tecnologias | Foto: Bira Soares (FCC/UFRJ)
Após o lançamento do instituto, como parte do evento sobre o Bicentenário da Independência, o professor italiano Alessandro Mongili, que leciona na Universidade de Pádua, palestrou sobre “Convergências, atividades infraestruturadas e múltiplas ontologias: o fluxo das tecnologias do futuro”.
Mongili, que é professor de Ciência, Tecnologia e Sociedade na Escola de Ciências Humanas na universidade italiana, falou sobre a interação entre homens e máquinas, num contexto cada vez mais saturado de novas tecnologias.
“Tratamos seres humanos e tecnologias como se um fosse dominado pelo outro, mas é possível que trabalhem juntos”, destacou o professor, citando exemplos de como automações, como na área de transporte público, podem ser benéficas na constituição de cidades inteligentes.
No entanto, ao falar de processos padronizados, ele aponta o risco de esses mecanismos se tornarem excludentes, tratando a diversidade como “acidente”. Para evitar a exclusão nesses novos sistemas digitais que ajudam a moldar o mundo, Mongili destaca a importância de o desenvolvimento tecnológico ser baseado em propósitos:
“Para que não se tornem excludentes e marginalizantes, é preciso um processo mais ecológico entre humanos e tecnologias, com design e desenvolvimento andando de mãos dadas”, concluiu ele.